quinta-feira, 21 de abril de 2011

existirmos, a que será que se destina

Se existir é lembrar, acho que comecei a existir com uns cinco ou seis anos e ainda assim,precariamente. Lembro do primeiro dia de aula, e como não poderia lembrar? foi terrível, apavorante, como aliás, todos os anos que seguiram na escola primária. magrela e tímida eu era o alvo perfeito para as brincadeiras sádicas de Virgínia e outras  meninas das quais não lembro mais os nomes. Foram quatro anos de sofrimento sob o olhar omisso da mesma professora da qual até o nome eu esqueci. Mas não foi fácil esquecer as maldades, nem perdoar. Mas passou, como passou a infância, uma infância sem muitas alegria e com muitas tristeza, a maior delas aos oitos anos quando tive que encarar a morte no corpinho de meu irmão.
Se existir é sentir prazer, só comecei a existir na adolescência, no curso ginasial onde, menos tímida fiz minhas primeiras amizades, na emoção do primeiro baile, do primeiro beijo, dos amassos no escurinho do cinema. Mas ainda havia muita dor, sentimento de rejeição. Existir não era fácil, o prazer era proibido.
Se existir é fazer amor,  só comecei mesmo a existir aos dezoito anos. O primeiro amor a virgindade perdida, a vida palpitando no corpo, e fora dele, existir era preciso, e muito. Mas além do amor, havia dor, conflitos, escolhas, dúvidas, e muita dor.